O que podemos aprender com a pandemia do Coronavírus?

Independente do lugar ou região onde você mora, é quase impossível afirmar que a pandemia do Coronavírus não atingiu a sua rotina. As medidas de proteção e prevenção são as formas mais seguras de manter o vírus longe, mas por outro lado nos deixam cada vez mais distantes de quem amamos e das nossas atividades rotineiras. Mas será que podemos aprender algo com a pandemia?

A cada crise, um avanço

É muito comum que alguém, depois de um término de relacionamento, comente que “existe um “eu” antes de fulano e outro “eu” pós-fulano!”. Na maioria das vezes, esperamos que a pessoa tenha mudado para melhor, não é mesmo? E sempre tem um amigo ou familiar que tenta ajudar a pessoa a perceber o que ela pode fazer para se livrar de um relacionamento ruim, ou até deixar alguém que não ama mais seguir em frente. Podemos chamar isso de evolução.

As pessoas evoluem, as formas de relacionamento melhoram, a infraestrutura dos lugares, por mais históricos que sejam, também se adaptam. Todos buscam uma melhor forma de estarem disponíveis às melhorias da sociedade. E as pessoas se identificam com aquilo que as acolhe, as reconhece e as proporciona boas experiências. Contudo, para chegar até esse ponto, na maioria dos casos é necessário muitos conflitos e crises para um próximo passo. A história nos conta e nos lembra quantos avanços a humanidade tem conquistado ao longo dos anos, e não seria a “Geração Y”, a digital e 100% on-line que deixaria de sentir na pele o que os laços mais essenciais nos fazem perceber e refletir.  

“2020 será melhor”

E por que não? Esse é o desejo de todos, muito antes da virada de ano. Mas para ter um 2020 melhor, nós precisamos fazer alguma coisa. Tirar do papel, do verso, do status e até do meme. Nós somos responsáveis pelas nossas escolhas e precisamos ter consciência sobre elas. É claro que ninguém escolheria que um vírus fosse disseminado pelo mundo e matasse mais de 1 milhão de pessoas em menos de quatro meses, mas muitas vezes a gente até prefere fingir que não têm pessoas morrendo todos os dias por fome, frio e falta de assistência ao redor mundo. Também não somos os responsáveis por mudar o cenário e acabar com a fome, mas nós podemos começar a reconhecer os problemas que fogem da nossa realidade e refletir sobre como podemos fazer a diferença para os outros. Chamamos isso de sair da bolha.

Nossas ações estão automáticas, o tempo tão escasso e as retribuições de amor tão rasas, que qualquer ato parece insuficiente. Há 50 anos, pensávamos que em 2020 estaríamos usando carros voadores, com uma qualidade de vida quase perfeita e cercados de tecnologias, a fim de facilitar e acertar todos nossos atos. Mas não, antes ainda precisamos discutir assuntos básicos, como amar e respeitar o outro, principalmente nossa família. Afinal, eles nos colocaram nesse universo com a expectativa de um mundo melhor e de que realizássemos nossos sonhos e que fôssemos motivo de orgulho. Aproveite esses dias em casa para perceber o quanto a sua mãe foi gentil e benevolente em todas as vezes que ela ligou para saber se você estava bem, por mais que ela soubesse que você estava bem. Sabe aquele almoço em família que você não estava a fim de ir porque era no interior e você gostaria que seus avós fossem te visitar? Então, agora você vai precisar de mais tempo para poder dar abraço, como o gesto mais gratificante de retribuir por todos os “nãos” até hoje dados.

E depois da quarentena?

Hoje, os dias estão difíceis para todos, tanto para quem pode ficar em casa quanto para quem está na linha de frente, cuidando dos casos da COVID-19. Para quem tem e para quem não tem filhos. Para quem é empresário e para quem é funcionário. Para quem adorava tomar um chopp com os amigos e hoje só pode mandar uma foto pelo celular. Para quem sempre dizia “vou ver e te aviso”, e hoje tem a agenda com os próximos eventos cancelados.

De repente, a nossa forma de entretenimento é com o que temos em casa e que antes nem valorizávamos. O valor que costumávamos dar para as coisas passou a ser repensado, e o que mais faz falta também. Como será depois da quarentena? Você já fez uma lista das primeiras pessoas que vai visitar? Ou já pensou em marcar aquele encontro que você ficou por muito tempo prolongando? E aquele “eu te amo” que ficou engasgado, vai ser dito? E se aquele ente querido não sobreviver, você vai se perdoar pela sua ausência? Como você vai administrar o seu tempo e o seu afeto daqui para frente? A quarentena terá nos ajudado a observar nossos erros?

Ainda não temos controle sobre o tempo, mas se você pudesse escolher, de que forma você o usaria a seu favor? Comece a pensar nisso agora, pois o presente nunca foi tão necessário para um novo futuro!